segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Vou-me embora, querido!

Vou-me embora, amor,
e dessa vez tua palavra não me alcança.
Vou cruzar a rua sem pensar em vulgaridade,
vou-me embora, vou ser da noite mais que de mim.

Vou-me embora, querido,
que o trem e a vida não esperam por nós.
Vou, que o meu país cresce
como a antiga angústia que me causaste.

Pra que perder tempo, amor?
Eu vou embora!
Vou cantarolando a canção dos bravos,
que com saudade e feijão eu vivo muito bem.

Vou te deixar pra sempre, alguém!
Vai atrás da saia que roda pra ti,
que agora eu já nem me importo.
Repare que vida toda é um grande boteco!

Vai, filho deste solo,
foge de mim e do amor, mas não esquece de tua luta!
Vou-me embora,
que tudo que cresceu acabou na calçada como um bêbado.


(Lara Farias)