segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Amarga Volúpia


Quando falaste, amor, com aquela meretriz,
E entregaste um ramalhete de flores,
E pediste para que se despisse...
Ah, meu Deus! Eu tive que partir.

Mas noutro dia, depois da partida,
Avistasse-me de pouca roupa e chegaste junto.
E agora, por onde anda a meretriz?
Por que a encara friamente?

O corpo dela não te serve mais?
Não mintas, sei que teu gozo é de outrem!
Sei que tu deitas e me deseja loucamente,
E que a gente se come pelos ares do jardim.

És volúpia amarga, homem.
Desejo-te mais que o vento dos tempos que nunca virão.
E, cá pra nós, vou te dizer em bom tom:
Envergonha-te, sábio! Que meretriz mais mal apanhada!

(Lara Farias)

Nenhum comentário:

Postar um comentário