sábado, 18 de agosto de 2012

Não vou chorar, homem


Não vou chorar, homem.
As palavras que havia cuidado partiram no último trem.
Tinham novas vestes e seguiam para uma nova direção.
O que guardarás além das colinas brancas desse estranho caminho?

Não vês que não tens me compreendido?
Não vês que não queres o impróprio?
Qual será o teu conforto quando não houver paz?
Seria dormir entre o casal? Servir de lençol, amor?

Ah, meu homem! Tenho tantas mágoas...
Tenho dormido no chão e andado nua, às vezes.
Ninguém responde minhas correspondências
E as injurias são ditas em prosa.

Não vês que sou confusa até no olhar?
Machucam-me as pedras atiradas em outra cruz.
Não vou chorar, não, amor.
Se quiseres tudo para nunca mais, eu irei.

Amando-te, entende? Adorando-te.
Desfazendo esse homem qualquer.
Deixando esse homem qualquer.
E sendo incompreendida pra todo sempre. 


(Lara Farias)

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