domingo, 24 de junho de 2012

Escuta-te, rapaz!

A chuva não vai te esperar, rapaz.
Hoje é dia de ler a noite inteira sozinho.
A roupa desbotada esquenta o teu corpo de homem
E mata aos poucos um corpo pálido cheio de um mal-me-quer.  

Não existe desperdício quando a alma se contenta,
Não há namoradinhos que me rodeiam na praça abandonada.
Acalma-te nos meus braços, porque te quero.
Não chores por maldade se te faço rir.

Chamas-me de bela e não queres que eu  ame a ti?
Se te atraio, por que não vens na velocidade que o desejo te oferece?
Se te encantam meus ares, minha boca, e meu sorriso,
Eles são todos teus, meu amor!

Feche os olhos para o que não te agrada e me fantasiarei de tua mulher.
Deixe-me beijar-te  num sábado vazio, numa sala qualquer.
Escuta, amor! A carne fala o silêncio que a gente ouve,
Mas não cala o barulho por não querer sentir.
                                                                     
                 (Lara Farias)
                           

                                 

                                     



segunda-feira, 18 de junho de 2012

Não, menina!


Não adianta esperar, menininha!
Teu amor não chega,
Está a entregar flores pra outro alguém.

E te prepara, menininha!
Porque hoje não chove
E ele há de se deleitar em outros corpos.      
                 
Há um engano, menininha!
Hoje chove, tudo se deita, se derrama...
Veja que destino!
Tudo se escorrendo por lágrimas a baixo.

Ele vai dançar? Que dance!
Que faça do seu corpo o dia de hoje!
Vai tomar um café, vai rodar teu mundo, menina.
Não há ninguém te esperando na beira do rio.

terça-feira, 5 de junho de 2012

E se não fosse a saudade?

Amanhece o dia no quarto de paredes manchadas,
Onde descanso o atropelo das coisas que não têm nome.
E você sorri com a boca pintada por outros beijos
Que são descoloridos por não serem meus.

Sangro o amor que a gente não sente,
E sangraria mais por te ter em mim.
Como sentir a dor de te ver devorar um corpo sórdido
E me derramar como tu se derramas em outro alguém.

(Noite)

Enquanto as luzes borram se deitando pelos vidros,
Eu preciso sonhar que tu tocas outra moça.
E no fim do caminho apreciar o gosto
Que há em me mastigar outra vez.

Tão grande a lua...
Como a minha loucura de querer-te por questão poética.
E se não fosse a saudade, amor...
Diz me então, o que restaria de nós?

(Lara Farias)

Dedico ao meu grande amigo, Tom Homero.