quinta-feira, 24 de maio de 2012

Poema Desordenado

Rosas que outrora caíam do firmamento,
Recolhem os espinhos e acariciam minha pele.
E velejam entre o rio de lágrimas
Que me afoguei antes de derrama-lo.

Velo os meus desejos.
As palavras me tocam, provocam e se vão.
Fico eu no escuro de mim
Que emana do cheiro de coisa alguma.

(Lara Farias)

terça-feira, 1 de maio de 2012

Eu vi teu nome pintado na parede

A poesia que sai da maré toma conta da cidade.
Trajo-me com a rua sem curva.
E como me cai bem!
Como uma lua, amor! Como uma uva!

Vejo teu nome pintado numa parede velha.
Certo que o cansaço me deixa abobada,
Mas o vermelho sangue que quase me acena
Fala muito mais de tudo que eu nunca ouvi.

Talvez, por tamanha indelicadeza, tua moça não o tenha desenhado,
Mas um recifense qualquer em pleno devaneio.
Um qualquer, disse eu? Mas que loucura!
Será o mesmo que o escrevera em meu corpo?

Ah, mas não me engana.
Quem sabe pinta-lo melhor do que eu
Nesse corpo coberto de alma?
Isso mesmo. Você. Não tem saída.

(Lara Farias)