terça-feira, 17 de abril de 2012

Como estar sozinha sempre com a solidão?


O íntimo está pronto.
Vem uma saudade dos pingos de chuva beijando os vidros,
Bem de leve.
Onde encostar a cabeça senão nos lençóis retorcidos?
(Silêncio)

Disfarço-me forçadamente
Para que talvez essa poeira fique encrunhada.
E que eu seja a água que cai dos meus olhos
Virando lama a escorrer pelo teu corpo.

Chega o frio, felizmente.
E pior que ladainhas, desce uma voz pela minha cabeça.
Me consome! Ai, mas me mata!
Sinto meus olhos atirarem fogo na cama.
(Barulho)

Lembro de você abrindo a porta.
Não me contenho.
Como estar sozinha sempre com a solidão?
(Silêncio)
Melhor sentir as noites. E tem coisa mais linda?

(Lara Ferreira)



(Foto: Pintura de Jean Jacques Henner)

quinta-feira, 5 de abril de 2012

TransPIRANDO Saudade.



Peço que me perdoe, sinceramente.
Sim, porque existe um embaraço entre nós.
E eu que te escrevo como quem desiste da vida
Rogo para que tu não desistas de mim.

Engano-me, porque quero te convencer.
E porque há na ilusão uma leveza sublime.
Diz-me então pra onde ir, amor,
Se o vento segue esse caminho desarranjado.

E nunca mais te pedirei silêncio.
Quero que deites em mim e libertes tua poesia.
Derrama teu peso, expira o pecado do teu ar
E os transformarei em serenos.

Profere esse teu desejo
Porque já não enxergo mais o caminho.
Porque eu decifrei teu olhar, amor,
Mas sem tua voz eu não vivo.

(Lara Farias)




(Foto: Desenho de Francine Van Hove)