domingo, 18 de março de 2012

Sentimentalismo Imaginário.


A ilusão da noite passada não me deixa dormir.
E a vida ainda me importa porque as tardes também existem.
Os sinos não vão tocar
E teu calor é um veneno longínquo e delicioso.

Minha paz se perde pelas risadas que flutuam,
Pelo silêncio que se profere.
Perde-se pelas palavras indiscretas que soam com calma
E terminam dizendo, se ajoelhando por noites ternas e barulhentas.

E eu pretendo, amor, desenhar teus olhos todos os dias,
Pintar de vermelho teu corpo e o céu,
Capturar teu cheiro.
Soltar o amor! Deixe que ele fique azul!

E por falta de vinho, beba minha solidão.
E por falta de inspiração, escute um blues.
E por falta de amor, me chame.
E o que poesia não disser, o escuro dirá.

(Lara Farias)

domingo, 4 de março de 2012

Maldito Martelinho


Era madrugada.
Há duas horas fui abandonada,
Já se foi o meu benzinho.

Ah, meu neguinho!
Venha cá!
Conte-me sobre tuas noites.

E que sono!
Um sono divino
De um amor que nunca existira.

E um martelinho incoveniente batia:
“Bei, bei, bei”.
Três vezes, fazendo música:
“Bei, bei, bei”.

Vamos lá, martelinho!
Três batidas!
“Bei, bei, bei".
Ah! Madiltas reticências sonoras!

(Lara Farias)



(Foto: Desenho de Francine Van Hove)