sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Em tempos de outrora

Dentro de mim há uma saudade que veio do princípio.
Estranheza minha, mas sinto saudade de não existir,
Dos tempos em que o nada tinha nome próprio
E que a beleza se configurava num corpo vazio.

De nada valeria chorar!
No escuro a minha loucura seria silenciosa.
Tão grande quanto uma vontade alheia de me ter nos braços.
E simples, assim como a aranha tece seu universo.

Eu estaria entre o princípio e o fim,
Deitada num mar escuro, com todos os sabores do mundo,
Com todos os cheiros dos meus amores que viriam,
Guardados num pedaço de nada, de tudo.

Porque ser singular é simples e grandioso.
E a eternidade é tão curta quanto o segundo que acaba de passar.
O meu viver coexiste com a minha inexistência.
Existir e não existir é mais singelo do que ser quem és.

(Lara Farias)